Comissão da Câmara Federal visita sistema de rejeito da MRN


Dando continuidade às ações de vistoria das barragens no país pós tragédia de Brumadinho (MG), representantes da Comissão Externa da Câmara Federal estiveram, em março, nas instalações da Mineração Rio do Norte (MRN), no distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná. A comitiva foi formada pelos deputados José Silva, Júnior Ferrari, Elcione Barbalho e Áurea Carolina. O grupo também foi acompanhado pela Comissão Externa da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), presidida pela deputada Marinor Brito, vereadores da Câmara de Oriximiná e representantes das comunidades locais.   

O deputado federa José Silva, coordenador da Comissão de Brumadinho, pontuou que é preciso construir um novo arcabouço legal na mineração, com leis que proporcionem segurança para a vida e para o meio ambiente. “Estamos aqui para ouvir as populações, os movimentos e a empresa. Aqui na MRN, conseguimos diagnosticar que é um sistema mais moderno que em Minas Gerais, até por ser mais novo. Gostaria de agradecer a companhia que abriu as portas e nos deu oportunidade para conhecer suas operações. Queremos junto com as empresas, construir uma mineração mais sustentável e responsável”, afirmou.

Natural da cidade de Oriximiná, o deputado federal Junior Ferrari, que atua como sub-relator da comissão externa, disse que as visitas aos empreendimentos minerais darão contribuições para que se evitem tragédias, como a de Brumadinho. “Somos favoráveis ao desenvolvimento, mas com responsabilidade. Esse momento será fundamental, inclusive para que a Mineração Rio do Norte possa avaliar parcerias com as comunidades”, sugeriu.

Durante a visita, os participantes conheceram o sistema de rejeitos da mineradora, que atualmente opera 23 tanques para a disposição de rejeito mais sólido, os chamados SPs, e três tanques para a disposição de resíduos de operação da planta, conhecidos como TPs. As comitivas também visitaram a Água Fria, uma das barragens que armazena a água coletada da área industrial situada no porto da empresa.

Wanderson Silvério, gerente de Barragens da MRN, detalhou o processo destacando os diferenciais em relação às barragens de Minas Gerais.  “O material lançado nos tanques é uma mistura de água e argila, sem adição de produtos químicos, e cerca de 80% da água utilizada na lavagem de bauxita é reaproveitada na planta. O método utilizado na construção desses tanques é o de linha de centro, diferente das tradicionais barragens à montante. Os reservatórios têm altura média de 20 metros, enquanto algumas barragens em Minas Gerais chegam a 175 metros de altura”, explicou.

Guido Germani, diretor-presidente da MRN, afirmou que a empresa está de portas abertas e que busca fazer uma mineração sustentável mitigando todos os possíveis impactos ao meio ambiente. “Para nós, esse foi um encontro muito positivo e as sugestões trazidas pela comunidade serão avaliadas. Ressaltamos que, ao mesmo tempo que investimos na segurança das nossas operações, estamos estudando novas tecnologias para a disposição de rejeito”, revelou.

Na ocasião, Germani reforçou que a desativação das estruturas administrativas próximas à mina do Saracá, além de ser uma ação preventiva, atendeu à nova resolução da Agência Nacional de Mineração (ANM), que dispõe sobre a remoção de todas as instalações utilizadas pelos funcionários que estão localizadas nas zonas de autossalvamento, independentemente do método de construção da barragem.